O trabalho não termina necessariamente quando o expediente acaba.
Às vezes, ele continua na cabeça durante o jantar, acompanha você até a cama e reaparece logo ao acordar.
Pode surgir como preocupação com uma reunião, medo de não entregar o suficiente, dificuldade de lidar com uma liderança, sensação de estagnação ou dúvida sobre continuar na profissão que você escolheu.
Em outros casos, a questão parece mais difícil de nomear:
Nem todo sofrimento relacionado ao trabalho é apenas sobre o trabalho
Questões profissionais raramente existem completamente separadas das outras áreas da vida.
A maneira como lidamos com cobrança, reconhecimento, autoridade, competição, rejeição e limites também está relacionada à nossa história e à forma como aprendemos a nos posicionar diante dos outros.
Por isso, duas pessoas podem enfrentar exatamente a mesma situação profissional e vivê-la de maneiras completamente diferentes.
Para alguém, dizer “não” a uma demanda extra pode parecer simples.
Para outra pessoa, isso pode despertar medo de ser considerada incompetente, egoísta ou pouco comprometida.
É nesse encontro entre realidade profissional e história pessoal que muitas dificuldades começam a ganhar outra dimensão.
Quando agradar se torna uma obrigação
Algumas pessoas chegam ao consultório acostumadas a assumir mais responsabilidades do que conseguem sustentar.
Elas sabem que estão cansadas.
Sabem que deveriam colocar limites.
Ainda assim, dizer “não” parece carregar um risco muito maior do que simplesmente recusar uma tarefa.
Pode surgir o medo de decepcionar.
A culpa.
A necessidade de provar valor.
Ou a sensação de que precisam estar sempre disponíveis para serem reconhecidas.
Quando esse padrão se mantém por muito tempo, o resultado pode ser uma combinação de exaustão, ressentimento e autocobrança.
E quando o problema é não saber se deve ficar ou mudar?
Outro conflito frequente aparece nas transições profissionais.
Você pode perceber que o trabalho já não faz sentido, mas não conseguir imaginar outro caminho.
Pode ter vontade de mudar de profissão, mas pensar:
- “E se eu me arrepender?”
- “E se eu estiver jogando tudo fora?”
- “Será que o problema é o trabalho ou sou eu?”
- “Já investi tempo demais nessa carreira.”
- “E se eu escolher errado outra vez?”
Nesses momentos, a busca por uma certeza absoluta pode acabar produzindo ainda mais paralisia.
A psicoterapia não existe para escolher por você.
Mas pode ajudar a compreender o que está em jogo nessa escolha.
O que a psicoterapia pode investigar?
Em um processo terapêutico, o sofrimento profissional pode ser observado para além da pergunta imediata “devo pedir demissão ou não?”.
Outras questões podem aparecer:
Nem sempre a resposta será mudar de emprego ou de carreira.
Às vezes, o trabalho possível está na forma como você se posiciona dentro da vida profissional.
Em outros momentos, compreender o próprio desejo pode tornar uma transição mais possível.
Trabalho é uma parte da vida — não a vida inteira
Existe uma diferença importante entre reconhecer a relevância do trabalho e permitir que ele se torne a principal medida de valor pessoal.
Quando desempenho, produtividade e reconhecimento ocupam espaço demais, falhar ou simplesmente diminuir o ritmo pode parecer uma ameaça à própria identidade.
A psicoterapia pode ajudar a observar essa relação com mais profundidade.
Não para ensinar uma fórmula de produtividade ou oferecer uma resposta genérica sobre equilíbrio.
Mas para compreender o significado que trabalho, sucesso, fracasso e reconhecimento assumiram na sua própria história.
Uma escuta que conhece também o mundo corporativo
Antes de se dedicar à clínica, Lilian Roque construiu uma trajetória de mais de 15 anos no ambiente corporativo, com seis anos voltados ao desenvolvimento humano.
Também possui aperfeiçoamento em Orientação Profissional e de Carreira pela USP-SP e em Escolhas e Transições pela PUC-SP.
Essa experiência faz parte de sua escuta sobre questões relacionadas ao trabalho, sem transformar a psicoterapia em uma consultoria de carreira.
Um espaço para compreender a relação que o trabalho ocupa na sua vida
Lilian Roque é psicóloga clínica (CRP 06/150242) e atende adultos em psicoterapia individual.
Os encontros podem acontecer online ou presencialmente em São Paulo.
Se o trabalho está ocupando espaço demais — ou se você já não sabe qual lugar gostaria que ele ocupasse — a psicoterapia pode oferecer um espaço para começar a compreender essa relação.
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